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Sim, o Rock ainda usa fraldas!

Por Mauricio Cirio • 11/06/2008 • Categoria: Destaque

Guri fazendo barbaEu posso até admitir que o Elvis tenha morrido, agora, o Rock N’ Roll? Ah, meus queridos, esse não chegou nem na puberdade.

Coisas interessantes acontecem na música. Muitas vezes, coisas inesperadas. E como tudo que não é esperado, tal coisa pode transformar os tempos e influenciar gerações, assim como pode afundar nas profundezas do esquecimento (como algo que realmente soou estranho e não vingou). O caso que deu certo é o de monstros criativos como os integrantes pink floydianos, ou os fenomenais besouros do rock (e do pop), que viraram febre beatlemaníaca.

Tais alienígenas musicais fizeram o inesperado, quebraram regras e batizaram a música com seus instrumentos e almas. Outros nomes poderiam ser citados: Jimmy Hendrix, Ramones, Guns n’ Roses, Led Zeppelin e Radiohead. No Brasil, Legião Urbana, “Raulzito” Seixas, Barão Vermelho e tantos outros, sem contar a revolução da Tropicália. Todos estes, e cada um com suas particularidades e vertentes, ultrapassaram o nível de “bandas normais” para virarem clássicos. Não importa o gênero, há sempre um som paranormal por vir e encantar incontáveis ouvidos. Pelo menos é o que acontece até hoje!

Músicos e admiradores do rock vêm dizendo que falta banda boa no mundo. Dizem que nada é como antigamente. E é verdade, os conservadoristas nunca terão nada como nos velhos tempos, a não ser supostas imitações. Bandas que, tão conservadoristas quanto, vão buscar se parecer com tal banda ou tal cantor das antigas. E por incrível que pareça, é aí que vão acontecer coisas estranhas e inesperadas. Depois de tanto tentar ser parecidas, as bandas contemporâneas vão acabar achando suas identidades, trazendo a inovação que tanto é esperada pelos conservadoristas (mesmo sem eles saberem que é isso que procuram). É como um ciclo. O velho se torna novo, e o novo se torna velho. E por aí grandes compositores vão erguendo suas notas como escravos no velho Egito. Pedra a pedra na construção de um grande complexo mágico, os novos poetas irão cravar a beleza na areia, erguendo a majestade eterna sobre a mais rochosa piscina de areia. A música boa sempre terá seus pilares erguidos, podem acreditar!

A árvore genealógica do rock não tem tipo A, nem tipo B. Precisariam mais que bilhões de alfabetos para se definir a construção de um padrão da criação musical. Existem tantos mundos dentro de uma só mente. Então, o que pode se fazer quando formos imaginar quantos mundos existem se juntarmos todas as mentes do planeta? O novo imita o velho, e “sem querer querendo” (como diria o bom e velho Chaves) acaba criando o novo. É assim, por incrível que pareça. E o novo vai ficando velho, e sendo imitado, para que possam ser criados novos ritmos, novas melodias, novos caminhos. E por que não novos obstáculos? O rock, assim como Carlos Drummond, adora pedras no meio do caminho. Faz parte do show!

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Mauricio Cirio é compositor, poeta, escritor, jornalista, escancara sua voz timbrada na banda Derivados e mantém Os Bastidores de sua carreira no blog http://mauriciocirio.blogspot.com. Ele também escreve dedilhadas no seu sincero blog musical http://colunavisceral.blogspot.com.
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3 Comentários »

  1. Que texto! Que Texto!

    Ate fiquei honrado de ser citado em um texto desse tipo. Pois é o rock não morreu, ao meu ver ele ta na adolecência, finge ser trevoso e se esconde da midia. Mas ele aparece novamente aos poucos.

    Tem muita coisa boa por vir ai, só aqui no sul tem uma pá de bandas prontas para estourar.

    Abraço!

  2. Sim! Este eu tive orgulho de colocar aqui! O Círio já começou muito bem!

  3. Difícil imaginar um estilo musical que causa tanta paixão em seus fãs como o Rock n Roll. Não aquela paixão de fã-louca-pra-dar das boy bands. É algo ao mesmo tempo louco e consciente. Esse texto me fez lembrar as longas conversar que tive com amigos sobre o ciclo do rock. A inventividade que encheu o saco e deu origem ao punk e o preciosismo vazio de conteúdo mas cheio de forma e imagem que deu origem ao grunge… hoje temos terreno fértil para novas safras de Rock n Roll!

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